Lisboa, 04 de Junho de 2009 – Representante de 4.200 bancos cooperativos na Europa, a Associação Europeia de Bancos Cooperativos (EACB) tem a sua reunião anual em Lisboa, hoje e amanhã, para debater a crise e as novas iniciativas levadas a cabo pelas instituições europeias no âmbito das recomendações do relatório do Larosière Group.(*)
O presidente da EACB e membro do Conselho de Administração do Rabobank, Piet Moerland, regista "com apreço os planos para criar um Conselho Europeu para o Risco Sistémico (ESRC – European Systemic Risk Council) que acompanhe e avalie potenciais ameaças à estabilidade financeira, que possam surgir da evolução macroeconómica e do próprio sistema financeiro. Esta iniciativa permitirá obter uma perspectiva macro da supervisão, que é urgentemente necessária. Concebida como uma instituição altamente complexa – devido ao grande número de membros e pela complexidade do processo de decisão –, o ESRC terá de mostrar capacidade para produzir recomendações práticas."
Além disso, a EACB congratula-se com os planos para o European System of Financial Supervisors (ESFS), que consistem no desenvolvimento de uma rede europeia de supervisores financeiros dos diferentes Estados-membros, para trabalharem em paralelo com as novas autoridades de supervisão europeias e salvaguardar a estabilidade financeira.
Piet Moerland acrescenta que é “de assinalar o facto de o ESFS estar apoiado nas estruturas nacionais e nos organismos europeus. Mas acima de tudo, consideramos ser muito relevante o apelo do ESFS aos Estados-membros para dotarem as três novas autoridades europeias de supervisão com os poderes necessários para assegurar uma maior harmonização e convergência das normas prudenciais e práticas dentro da União Europeia. Esta perspectiva será necessária para garantir que a organização da supervisão financeira na Europa possa reflectir os diferentes modelos de negócio e o princípio da integração dos mercados e dos seus intermediários".
Em Portugal, João Costa Pinto, presidente do Conselho de Administração Executivo da Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo, sublinha que “continuamos a ser parceiros de confiança. O Crédito Agrícola não reduziu a sua oferta de crédito, continuando a avaliar os clientes empresariais da mesma forma de sempre. Enquanto banco cooperativo, reafirmamo-nos como parceiro de referência em todos os momentos, independentemente da conjuntura, quer nos bons quer nos maus momentos."
Dotados de um modelo de negócio específico, os bancos cooperativos são um dos principais players do sistema bancário de retalho na Europa, com uma quota média de mercado de 20 por cento, 50 milhões de membros e 160 milhões de clientes. São muito activos a nível local e, no actual contexto, destacam-se pelo contributo para a coesão social nas regiões. A solidez dos bancos cooperativos contribui para a estabilidade do sector bancário na Europa.
(*) Este relatório (Fevereiro 2009) elaborado por um grupo de peritos coordenados por Jacques de Larosière, ex-Governador do Banco de França e ex-Director-Geral do FMI, apresenta um conjunto de recomendações em matéria de regulação e supervisão financeiras na União Europeia.
http://ec.europa.eu/internal_market/finances/docs/de_larosiere_report_en.pdf